Serviços no Aconcágua

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Olá Pessoal,

Pra quem pensa em ir ao Aconcágua, ou que tenha contato com qualquer pessoa indo praquelas bandas, gostaria de informar que a partir de agora sou o representante no Brasil da Lanko Expedições (http://www.lanko.com.ar). Uma empresa especializada em prestar serviços para montanhistas no Aconcágua. Então se precisarem de qualquer serviço de Mendoza ao cume da montanha, posso ajudá-los com informações, orçamentos e colocá-los em contato com a empresa que nos deu suporte para chegar lá em cima.

Coincidentemente eu havia sido atendido por eles em 1998 também, e voltei de lá com a melhor impressão possível da camaradagem argentina. Esta havia sido minha 1ª visita ao país dos hermanos (até hoje já foram 5 no total) e apesar de nossa richa futebolística sempre fui muito bem tratado por aquelas bandas.

Então já sabem, se precisarem de mulas, porters, traslados, hospedagem, guias, ou qualquer coisa relacionada a montanhismo e ao Aconcágua, não hesitem em me procurar, ou direcionar seus amigos para mim. O preço comigo é o mesmo com eles, com a diferença que recebo uma comissão por encaminhar clientes e agilizar o atendimento por aqui.

Abraços e bons ventos pra todos!

Muito muito muito obrigado!

Olá de novo pessoal!

Estamos de volta à Brasília. Antecipamos o vôo e chegamos na terça à noite. Não preciso nem dizer que estamos muitíssimos satisfeitos e por que não dizer, orgulhosos com o carinho manifestado por todos vocês. Muito obrigado em nome de toda a família.

Foram mais de 2000 acessos durante estes 30 dias e mais do que isso,  adoramos os comentários e os parabéns a nós enviados.

Em troca, já coloquei novos vídeos e até o fim do dia publicarei outro album de fotos, inclusive com as especialíssimas do CUME!

Estamos agilizando um churrasco, ou evento parecido, para mostrarmos as fotos e reencontrarmos todo mundo. Vão separando aí o domingo (11/01)!

Abraço,
Lu. 

 

 

É Hoje!

É hoje! Foi a primeira frase que disse no dia 29/12 quando o Enrico nos acordou avisando que já passavam 15 minutos das 6 da manha. O combinado era saírmos entre 7h e 8h, para escaparmos do frio e acelerarmos rumo ao cume. A expectativa média é de 8h para fazê-lo.

Esquentamos a água, comemos o que tínhamos e nos vestimos. Para nao pegarmos a roupa congelada, já que a noite é muito fria, dormimos com tudo dentro do saco de dormir, gorros, luvas, casacos, calças e inclusive os cantis, que congelam se ficam pra fora. Digo pra fora do saco de dormir, fora da barraca nem pensar!

Às 7h ouvimos os ingleses passarem do lado de fora e também saímos. Éramos os últimos a tomarmos o rumo do cume naquele dia. E lá longe no alto víamos a fila de expediçoes e independentes subindo a montanha.

A noite foi ótima, apesar da altitude, nao ventou, nao nevou e o sol já aparecia cedo. E o melhor de tudo, sem vento! Tinha que ser hoje!

Apressado que sou já saí saindo. Enquanto Rico e Tina faziam os últimos ajustes começei minha caminhada. E estava me sentindo muito bem, como vinha mesmo me sentindo por todos os outros dias. Estávamos no 11° dia da expediçao e eu nao havia tido uma mísera dor de cabeça. Um pouco de frio nos pés no começo, depois nas maos, mas eis que o sol surgiu de vez e lá fui eu apenas com uma luva simples de fleece.

Quando terminei o segundo grande lance de subida precisei parar para botar os crampons (garras de alumínio para a bota). A partir daquele trecho, só neve. Eu estava no refúgio Independência a 6.300m e passei um rádio pros dois.

Perguntei: Onde estao voces? A Tina atendeu e disse que estava vindo, mas que o Enrico sentiu os dedos congelarem e havia voltado para a barraca.

Só mais tarde fui saber que o o problema com o Enrico havia sido de alimentaçao. Ele sentiu-se muito fraco logo na saída daquele dia, na véspera mal jantou, pois o rango desidratado que tanto confiamos, depois de uns dias, estava difícil de engolir. Eu mesmo havia jantado o meu último na marra. O Enrico se alimentou pouco, dedicou-se com todas as forças pela expediçao, sempre tomando a dianteira nas tarefas mais pesadas, carregando a maior carga e acabou lhe faltando uma alimentaçao mais rica e completa, deixando-o na mao justo no último dia.

A partir daquele momento nao éramos só a Tina e eu, éramos os cinco da expediçao inicial, mais os 6 de 98 e toda a torcida de familiares, amigos e simpatizantes. Mandei um incentivo pra Tina e seguimos adiante.

Fui com tudo pra cima da montanha. Passei a expediçao do baiano, que pensávamos terem tentando na véspera, e fui subindo rápido e rasteiro. Nao era pra ser uma corrida, mas eu estava me sentindo muito bem, nao queria perder tempo e quem nos conhece sabe como somos competitivos… hehehe.

Quando terminei a subida que leva ao Grand Acarreo e de onde pode-se ver a canaleta (último e temido obstáculo) e o cume, comentei com o Australiano ao meu lado. ¨Fácil demais! Conseguimos!¨ Só que pra meu engano eu só havia cumprido metade da tarefa. A última rampa de neve do Grand Acarreo é de matar, e àquela altitude me obrigou a uma segunda parada e um lanche pra recarregar as baterias.

Quando finalmente cheguei à Cueva (entrada da canaleta) eu era o primeiro da fila naquele dia, ninguém havia feito o cume até entao e nos restava a famigerada Canaleta! Uma rampa de 400m, acima dos 6500 m de altitude e com 35° de inclinaçao (atençao, pra checar essa inclinaçao faça o seguinte: desenhe uma linha vertical. No topo da linha coloque o vértice e entao abra um angulo de 35°. É isso aí, 400m pra cima!)

Cheguei a comentar com um guia de expediçao que hoje teria cume pra todo mundo. Ele sorriu, disse que estava de acordo, mas a realidade se mostraria outra…

Eu havia parado apenas 2 vezes até chegar ao pé da canaleta. Durante a subida da canaleta eu parei mais de 10 vezes. Aquela inclinaçao era ridícula! Nao dava pra competir! E por ser o primeiro eu tinha que cavar com os pés os degraus para superar os lances daquela parede em minha frente. Ajoelhei, sentei, deitei e durante vários momentos tive dúvidas se alguém faria o cume naquele dia. É muita sacanagem que o trecho mais inclinado, mais comprido e mais cansativo tivesse que aparecer justamente no final do dia.

Mas o fato é que depois de 2 horas naquela rampa e 5 horas e 20 minutos depois de ter deixado a barraca eu consegui! Fui o primeiro no cume naquele dia e permaneci sozinho lá em cima por uns 30 minutos até que outros chegassem para tirarem uma foto minha. Foi tempo suficiente para deitar, assinar o livro do cume, curtir a conquista e a paisagem (uma pena que a parede sul esteve o tempo todo encoberta por nuvens).

Me lembrei de muita gente lá em cima, de todo o esfoço empreendido desde os preparativos em Brasilia e principalmente do meu time, que me proporcionou aquela conquista maravilhosa. Foi o esforço mais extremo que já fiz em minha vida e estou certo que será difícil superá-lo. E olha que já andei ralando um bocado por aí…

Depois de cerca de 45 minutos comecei a descida. Passei outro rádio para a Tina e ela estava a caminho. Nos cruzamos no meio da canaleta. Passei a máquina fotográfica pra ela, os parabéns, um abraço e seguimos cada um na sua direçao. Vi também os ingleses e o baiano subirem e conquistarem seus cumes naquele mesmo dia.

Em 2h30 eu estava de volta ao acampamento Cólera, onde o dia havia começado. O Enrico me esperava com bebidas e lanches, pra variar cuidando do bem estar da equipe… E no mesmíssimo instante a Tina chamava no rádio. Ela estava no cume! Que fera! Mais um ponto pra nossa expediçao! Sozinha ela tocou firme até lá em cima. Deixou muito marmanjo para trás e ainda tinha todo o caminho de volta por fazer.

Acertamos que desceríamos naquele mesmo dia para o acampamento base. Nao fazíamos questao de outra noite a 6000m de altitude. O Enrico me ajudou com minha mochila, peguei minha carga e comecei a descida. Cruzei com os amigos de Ushuaia que subiam para uma tentativa no dia seguinte, me cumprimentaram pelo cume e ficou a promessa de contatos futuros.

Desci como uma pluma, satisfeito e sem a menor pressa. Pela primeira vez em 11 dias eu nao tinha que me preocupar com a hora, com montar acampamento, ou algo do tipo. Me despedi do Aconcágua numa imensa paz, calma e tranquilidade. Me emocionei e vibrei por estar ali naquela situaçao.

Quuando o Bruno me viu chegando em Plaza de Mulas (acampamento base) nao entendeu muito bem o que estava acontecendo. Me perguntou se eu havia feito o cume e respondi o mais marrento possível: CLAAAAARO. Hahahaha.

Preparei dois miojos pra mim e dois pro Bruno, o saboreei como o prato mais gostoso do mundo.

Ficamos tentando contato via rádio com o Enrico e Tina. Só depois de um bom tempo é que conseguimos. Desceram carregados e cansados. A todo tempo olhávamos para o Aconcágua a fim de enxergá-los. Chegaram ao acampamento base no limite, as 9h30 da noite e usando suas lanternas de cabeca. Fomos recebe-los no pé da montanha, na travessia dos penitentes (areas de neve e gelo com lanças de gelo compridas onde passamos entre elas).

Fomos ao refeitório, preparamos mais janta e bebidas e em seguida dormimos o sono mais fácil e merecido de toda a viagem.

No dia seguinte empacotamos tudo e depois de mais 7h30 fizemos todo o trecho de volta até a entrada do parque. Satisfeitos, realizados, muito cansandos, mais magros, porem engrandecidos pela experiencia extrema e morrendo de saudades de todos e de tudo o que é civilizado (banho, torneiras, camas, restaurantes e coisas do tipo).

Foi assim.

Obrigado a todos pela torcida e pela força. E principalmente pela paciencia, já que decidimos contar tudo da maneira completa e portanto, mais demorada. Pra quem quiser vir conosco na próxima, as incriçoes já estao abertas e sao gratuitas. Vai encarar?

Beijos, abraços e ate a volta.
Lu, Bruno, Rico e Tina.

Continuando…

Já viu as fotos e vídeos que acabei de publicar? Confira no post abaixo. E se estiver perdido nos acontecimentos, volte para ler os posts mais recente, de baixo para cima.

Entao, faltou dizer que na subida para Colera encontramos de novo o Austríaco e seus dois guias. Eles haviam novamente tentado um ataque ao cume e desistiram. Novamente por conta do frio e vento. E lá estávamos nós indo mais pra cima…

Depois de mais aquela hora dentro da barraca com neve caindo lá fora, começávamos a pensar que nossa opçao pela subida nao havia sido acertada.

O Enrico havia, pela terceira vez seguida, saído pra pegar neve, desta vez com a Tina e eu, ainda meio lento, fiquei descansando. Quando eles voltaram, estavam cobertos de neve e nada mais justo que eu assumir a tarefa de derreter aquela neve toda. Fiquei naquela, bota neve na panela, mistura com agua, mexe a colher, bota tampa, bombeia o fogareiro, mais neve e assim por diante. Depois de mais de hora eu havia feito 4 garrafas de agua e falei que ia dar um tempo, estava cansado e nao aguentava mais aquela posiçao meio ajelhado, meio sentado. Daí o Enrico nao acreditou que eu estava parando antes de encher tambem as térmicas, afinal aquilo precisava ser feito naquele dia, antes de acordarmos para o ataque no dia seguinte. Pronto. O stress, o cansaço e as diferencas viraram discussao. O bicho pegou! Justo na véspera do ataque ao cume. Era a última coisa que precisávamos naquele ponto da investida.

Depois disso a neve parou de cair e o vento cessou. A Tina decidiu sair da barraca e o Enrico foi atrás. Eu fiquei lendo meu livro lá dentro. Passava de 20h. Mas o sol ainda estava alto e a temperatura estava bem agradável.

Em 2o minutos a Tina voltou e me chamou pra fora. ¨Lu, vem ver como está aqui fora¨, ela falou. Saí e me deparei com um céu azulado maravilhoso, todo o acampamento forrado de neve e no horizonte, pra todos os lados, um mar de nuvens, uns 300 m abaixo de nós. Foi sem dúvida a vista mais bonita de toda a viagem.

Apenas duas montanhas furavam o bloqueio das nuvens, mas também estavam abaixo de nossa altitude. Foi um espetáculo a parte!

Isso pra mim, que nao sou nem um pouco zen, supersticioso ou coisa parecida e que sempre fui um cara exageradamente racional, soou como um sinal positivo. Acho que em parte por ter lido recentemente alguns livros de autores que considero ¨pés no chao¨ e por ter notado que eles também usam a intuiçao como ferramenta para decisoes e atitudes. Aliás, tive algumas boas sensaçoes durante a viagem nesse sentido. Várias pessoas durante nossos preparativos por aqui nos desejaram ¨suerte¨ quando sabiam dos nossos planos de subir o Aconcagua. E cada vez que eu ouvia essa palavra, ela me chamava uma atençao especial, parece que eu sentia mesmo uma coisa positiva naquilo. E isso aconteceu várias vezes. Até quando o PM disse que um americano havia dito pra ele: ¨You will be great¨ (Vocês vao se dar bem) eu peguei aquilo e repeti e em várias vezes durante toda a subida me lembrei daquilo e acreditei que a gente ia mesmo se dar bem.

Pois o fato é que, depois daquele visual espetacular, o vento parou, nao houve mais neve e voltamos pra barraca combinados de despertarmos às 6h da manha para nos prepararmos para o ataque ao cume.

Que venha entao!

Pra cima dos 6000m

Atençao, coloquei dois posts numa tacada só. Entao confira lá pra baixo em que ponto parou e leia-os de baixo pra cima.

 

Nosso terceiro dia em Nido amanheceu com a barraca forrada de gelo por dentro. Como tínhamos que cozinhar e fazer tudo lá dentro, todo o vapor se condensava na lona da barraca durante a noite e aquilo ficava igual a um freezer. Qualquer movimento derrubava os cristais de gelo na gente, era muito chato!

Amanhecemos com mais de meio metro de neve lá fora. Mas com menos vento que no dia anterior. Precisávamos decidir se subíamos, ou se descíamos, nao dava pra ficar mais um dia naquele aperto e naquele frio.

O Enrico conversou com um guia de uma excursao e o cara disse que viriam dois dias bons pela frente. Mas que depois todo mundo teria que descer. Um japones me disse a mesma coisa.

Entao era tudo ou nada.

O Bruno acordou mais desanimado que no dia anterior e declarou: ¨Vou descer¨. Disse que nao tinha se alimentado como deveia e que a falta de apetie, o frio e o cansaco estavam pegando. E estavam mesmo. A gente podia ver que ele estava mais derrubado mesmo…

Claro que insistimos pra que ele se animasse, desde o dia que percebemos sua fraqueza, que fosse mais um dia adiante e tal, mas depois daqueles dois dias de tempo muito ruim, nao teve jeito. Ele pegou sua carga, levou mais umas tralhas que julgamos dispensáveis e tomou o rumo de baixo.

Nós, os 3 que sobravam, desmontamos acampamento e fomos, naquele passinho lento e difícil, subindo. Os ingleses vieram juntos.

Ouvimos dizer que havia um acampamento pouco depois de Berlim, chamado Cólera. O nome nao era muito empolgante, mas Berlim também nao era um dos lugares mais agradaveis na montanha… Muito lixo, um cheiro péssimo e pouco espaço para barracas.

Chegamos em Cólera e gostamos do que vimos. Muito espaço e para nossa surpresa, muita barracas e expediçoes já instaladas por lá.

Os 6000 m de altitude davam seus sinais. Eu me senti pela primeira vez, passado. As pessoas falavam e eu demorava um pouquinho pra processar. Enquanto fazia tarefas simples, ficava daquele jeito, meio bobo, meio aéreo.

Montamos nossa barraca e entramos. Mais uma hora de neve lá fora.

Agora vou dormir. Amanha conto mais desse dia e muito provavelmente termino a saga.

Abraços,
Lu.

Reveillon 2008/9 e mais Aconcagua

Que palha! Criamos a maior expectativa, saímos correndo da montanha de volta para Mendoza pensando em passarmos o reveillon na praça Independencia, com muita gente e muita festa e nao deu nem um nem outro… Incrível! Nao havia nem uma alma penada na rua. Só um pouquinho de gente nos poucos restaurantes abertos aqui na frente do hotel. Uma queima de fogos pra lá de mixuruca vinda do cassino e nada mais. Ficamos os 4 vagando atrás de alguma agitacao e acabamos estourando a champagne na frente do hotel em pé no meio da rua.

O dia 1 também nao foi dos mais emocionantes… Tudo fechado e chuva. Dormimos muito, pois ainda estamos com o cansaço rondando o corpo e demos umas voltas por aí, mas nada de mais. A partir das 17h, depois da tradicional ¨ciesta mendocina¨ é que deu pra se divertir um pouco.

Jantamos no El Mirador (restaurante no terraço de um hotel – indicaçao do Bruno Senador) e passamos no cassino, mas só pra ver o povo perder dinhero e voltarmos fedendo cigarro…

Agora tô eu aqui, dormi demais durante o dia, nao tomei o vinho que os outros tomaram e to que nao durmo de jeito nenhum!

Entao vamos ao Aconcagua:

Nossa primeira noite em Nido nao foi das melhores… O aperto na barraca, o frio e o vento incomodaram e muito. Quando acordamos ainda nevava e ventava e fomos obrigados a esperar até as 10h pra podermos sair da barraca. Isso quer dizer que xixi só na garrafinha. O Bruno nao acordou muito disposto, ele, que normalmente nao se alimenta e nao se hidrata como deveria, mostrava sinais de cansaço e nao queria muito sair do saco de dormir.

Naquele dia decidimos que o tempo estava muito instavel para subirmos a Berlim (quase 6000 m) e dormirmos por lá. Entao decidimos que passaríamos outra noite em Nido pra ver se o tempo firmava. Quando o vento e a neve deram uma trégua resolvemos subir a Berlim, mas apenas para nos aclimatarmos. Foi uma subida bastante fria e a altitude pegava forte! A excursao do baiano subiu para dormir lá em cima naquele dia. Os ingleses ficaram em Nido conosco. Ao lado de nossa barraca havia um Austríaco com dois guias particulares. No dia que chegamos a Nido eles nos disseram que a previsao do tempo indicava melhora para os dois proximos dias. Haviam subido para Berlim no dia anterior e os encontramos por lá. Tentaram o cume naquele dia e voltaram por conta do frio. Disse que a temperatura estava muito baixa e que o vento nao havia dado trégua.

Quando chegamos em Berlim pela primeira vez, o Bruno disse: ¨Pronto, já fiz meu cume!¨ Ele estava visivelmente cansado e o frio pegava mais nele do que na gente, quem mandou nao ter tecido adiposo… hehehe.

Fizemos a descida de volta a Nido e tudo se repetiu como no dia anterior. Entramos na barraca e neve e o vento voltaram com tudo.

O Enrico, que havia saído para buscar agua num lago proximo ao acampamento, voltou debaixo de muita neve e entrou com as maos congeladas na barraca. Precisou a Tina deixar que ele botasse as maos duras na barriga dela pra pegar um pouco do calor e se recuperar.

Foi outra longa noite de frio, vento e aperto na barraca. Já estávamos cogitando descer. Deixar o acampamento montado em Nido e voltar ao Base e esperar uma ¨janela¨ de tempo bom para voltarmos a subir.

Que noite…

Subindo mais

Depois da noite em Canadá a 5000 m o próximo passo era Nido de Condores. Saímos cedo e mandamos brasa. Em duas horas alcançamos a carga que havíamos deixado em Cambio del Pendiente. Mas como desta vez estávamos também bastante carregados deixamos tudo como estava para voltarmos mais tarde e pegarmos esse rango e crampons.

Tao logo chegamos em Nido montamos nosso acampamento e fomos tratando de fazermos água, que desde o dia anterior só se conseguia derretendo neve. Que tarefa ingrata! A neve nao rende e a gente fica ali horas, botando neve na panela, bombeando os fogareiros e enchendo pouco a pouco os nalgenes (cantis de plástico duro).

Foi o tempo de fazermos água, prepararmos nossa refeiçao e a neve veio com tudo. Estava bonito demais, mas depois de algumas horas, obrigados a ficarmos na barraca, aquilo estava ficando sem graça… Nosso rango ainda estava 300 m de altitude pra baixo e nao dava pra sair daquele jeito. Só umas 3 horas mais tarde e 40 cm de neve depois é que pudemos sair e nos esticarmos.

Enrico e eu descemos em 30 minutos para buscarmos a carga em Cambio del Pendiente e gastamos 1h30 pra subirmos de volta a Nido e garantirmos a janta.

Passamos aquela noite com mais neve caindo lá fora e vento na barraca. Aquela história de uma barraca pra 4 nao estava soando legal… Estávamos desconfortáveis lá dentro e assim fomos domir.

Quando voltar da rua conto o dia seguinte.

Abraços e Feliz 2009!

Completando e corrigindo…

No post anterior me confundi com as datas. Na verdade quando o PM desceu era véspera de Natal e naquele dia fizemos um porteio (carregamos comida e crampons) para Cambio del Pendiente, um acampamento entre o Canadá e Nido de Condores, a 5300 m.

Nossa noite de natal foi um barato! Na tenda de apoio juntamos as duas mesas plásticas e cadeiras e confraternizamos num clima muito legal. Um casal frances, um casal de Buenos Aires, dois amigos de Ushuaia, o casal Mendocino que trabalhava no acampamento base e nos recebeu da melhor maneira posssível (escotistas também) e nós, os 4 do Brasil. Naquela noite fomos dormir todos satisfeitos com a tábua de frios que nos foi oferecida pelos Osvaldo (agradabilíssima coincidência termos contratados os serviços de mulas com o mesmo cara que nos deu apoio em 1998 em Plaza de Mulas e foi super bacana conosco – continua o mesmo gente boa!). Em outro acampamento botaram fogo num barril e eventualmente jogavam um daqueles pequenos botijoes de gás dentro pra explodir. Dava um pipoco bacana, hehehe.

Sobre a subida para o acampamento Canadá, no dia seguinte, só pra situar vocês, ficamos acampados ao lado dos ingleses, que já estavam com barracas armadas por lá e desciam de Nido, onde fizeram um porteio de comida e equipamentos naquele mesmo dia. Naquele dia também subia a expediçao da Aymara, com um integrante baiano e outras 8 pessoas. E o casal Canadense que conhecemos no hotel em Mendoza, eles nao eram bem o tipo atlético, mas haviam ido pra montanha dois dias antes da gente e no ritmo devagar e sempre subiam naquele dia com 10 dias de comida para a montanha (nós levávamos o suficiente para 5).

Taí, estes sao os personagens. Amanha tem mais. Tá quase na hora! Feliz 2009 e tudo de bom e do melhor pra voces todos!

Abraços,
Lu.